Dieta Sustentável Dieta Sustentável

Dieta Sustentável

Dieta Sustentável – O que é sustentabilidade e o que isso tem a ver com seu peso e a comida no seu prato?

Por Carlos Canavez Basualdo (Nutricionista da Clínica Mais, Mestre em Saúde Pública pela Universidade de Genebra e Mestre em Epidemiologia pelo IEP-Hospital Sírio Libanês)

“Sustentabilidade” é uma das palavras mais faladas na atualidade, mas você sabe o que ela significa? A definição da palavra mais citada foi apresentada pela ONU em 1987: “Sustentabilidade é conseguir atender às necessidades do momento presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atender suas próprias necessidades. ”

De fato, a sustentabilidade abrange vários setores como meio ambiente, economia, saúde, nutrição e outras dimensões relacionadas. Todavia, você sabia que tornar-se sustentável no dia-a-dia pode te deixar mais saudável e até mais em forma?

Como tornar o seu cotidiano sustentável?

Pense comigo e imagine o rastro que você irá deixar nos bens que você utiliza, na comida que você coloca no seu prato, assim como no dinheiro que você gasta para aquisição de itens vitais.

Por exemplo, você sai para almoçar de carro, sozinho, come no restaurante de um shopping usando embalagens plásticas e acaba comendo mais de 600g de comida (sendo que destes, 50% de carne) em um restaurante self-service.

Se você pensar no rastro deixado, vamos pontuar alguns itens a curto prazo:

  • Você precisaria ir de carro, sozinho?
  • Você precisaria ir a um restaurante de shopping?
  • Você gastou energia para consumir 600g em 1 refeição?
  • Você precisa mesmo de 300g de carne em 1 refeição?
  • Os itens que você usou e descartou serão reutilizados?
  • Quanto essa história custou no seu bolso? Põe na calculadora…

Alimentação saudável ​e sistemas alimentares sustentáveis

Em 2019, a Comissão EAT-Lancet (um grupo de 37 cientistas de 16 países trabalhando nas áreas de saúde humana, nutrição, economia, agricultura, ciências políticas e sustentabilidade ambiental) avaliou evidências existentes e desenvolveu metas científicas globais que definem um “espaço operacional seguro” para sistemas de alimentos. Por conseguinte, estes objetivos concentram-se em duas áreas-chave que se aplicam a todas as pessoas e ao planeta:

Meta 1: Alimentação saudável em foco

Com base em extensa pesquisa sobre alimentos, padrões alimentares e resultados de saúde, a Comissão define uma “dieta de saúde planetária” com intervalos/rodiziamento de consumo para cada grupo de alimentos.

Este seria a adoção de um padrão alimentar flexível que consiste principalmente do rodizio de acordo com a safra, época e região de vegetais, frutas, cereais integrais, legumes, nozes e óleos vegetais; inclui uma quantidade baixa a moderada de frutos do mar e aves; e inclui pouca quantidade de carne vermelha, carne processada, adição de açúcar, grãos refinados e vegetais ricos em amido.

Todavia, segundo a Comissão, a adoção global desse padrão de alimentação proporcionaria grandes benefícios para a saúde mundial e individual.

Meta 2: Produção Alimentar Sustentável

A princípio, com a produção atual de alimentos gerando mudanças climáticas, perda de biodiversidade, poluição e mudanças insustentáveis no uso da água e da terra, a Comissão também identifica um conjunto de limites que relacionam-se a seis processos fundamentais do sistema terrestre:

  • Mudança climática (com base nas emissões de gases do efeito estufa),
  • Mudança no sistema terrestre (uso de terras agrícolas),
  • Uso de água doce, perda de biodiversidade (com base na taxa de extinção),
  • Nitrogênio e ciclagem de fósforo (com base na aplicação desses fertilizantes).

Pensar no todo, traz benefícios

Agora vamos imaginar se você estivesse pensando no rastro deixado e nos excessos:

Você saiu para se alimentar em um local próximo a seu trabalho, a pé, trouxe sua própria comida em recipiente lavável (usou um pouco de carne magra e legumes cozidos que você mesmo havia preparado no dia anterior – e havia usado por exemplo abóbora porque ela estava mais “bonita” no mercado).

Comeu o suficiente para se satisfazer e ainda economizou uns minutinhos para ouvir uma música ou relaxar um pouco a mente… É interessante né? Tente fazer mais isso e perceba a leveza no bolso e na balança, o planeta agradece!

Referências:
  1. Imperativos Estratégicos. Relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento: Nosso Futuro Comum. 1987, 10.
  2. Springmann M, D Mason-D’Croz, Robinson S, Garnett T, Godfray HC, Gollin D, Rayner M, Ballon P, Scarborough P. Efeitos na saúde global e regional da futura produção de alimentos sob a mudança climática: um estudo de modelagem. The Lancet. 7 de maio de 2016 e 387 (10031): 1937-46.
  3. Willett W, Rockstrom J, Loken B, Springmann M. Lang T, Vermeulen S, et ai. Alimentos no Antropoceno: a Comissão EAT-Lancet sobre dietas saudáveis ​​a partir de sistemas alimentares sustentáveis. The Lancet. 2019 16 de janeiro.
  4. COMER. Relatório resumido da Comissão EAT-Lancet. 2019

 

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